“Fui bafejado pela sorte…
Tinha um problema… Continuo a tê-lo, mas pelo menos agora já sei como lidar com ele, e percebi que afinal a responsabilidade e a capacidade de resolver este problema, é, inteiramente minha!
Surgiu há cerca de 5 meses um novo membro na família – não era um desejo partilhado, mas isso são outros quinhentos, que não importa dissecar neste texto.
A Migalhas – baptizada (desculpem-me os leitores – não vou aderir ao acordo ortográfico!) no mesmo dia em que me foi oferecida, é uma cadela boxer camurça… linda, cada vez mais!
migalhas quinta 5Uma das grandes dificuldades, e ao mesmo tempo desafio, era ensinar a Migalhas a fazer as suas necessidades – fora de portas.
Após mês e meio frustrante, em que se contam pelos dedos de uma mão as vezes que a jovem cadelinha me fez a vontade!, dei por mim, desesperado, sem saber o que fazer, e em busca de ajuda especializada…
Após uma pequena googlada pouco conclusiva, resolvi ceder à tentação da ajuda do telefone. Liguei para o veterinário da Migalhas – questionei-o sobre o tema, e obtive o contacto do Sr. Névoa!
migalhas quinta 6De imediato liguei, expus o meu (o da Migalhas, sei lá!) problema… A resposta foi no mínimo desconcertante – “traga a cadela para se ver a fera…”. Preocupado que estava com a compatibilidade de horários, a surpresa veio de imediato “traga-a então na segunda, pode ser às 7 da manhã…”…
Assim fiz – com a minha pontualidade britânica, no dia 26 de Setembro, lá levei a Migalhas… Novamente a abordagem, foi, no mínimo, diferente… “epá… Eu não consigo treinar isso, isso é uma fera, nem pensar!”… Percebi que o João, estava naturalmente a brincar (tinha acabado de o conhecer pessoalmente)…
Após uns momentos de conversa de circunstância…do género… “Porquê um boxer?”, porque foi uma escolha no mínimo estúpida, migalhas quinta 7só atenuada pelo facto de me ter sido oferecida… Surgem então as regras, simples: treino de obediência… participação activa do “dono” e sempre que possível, o mais possível com a participação da família… mesmo a dos meus dois filhos (3 e 5 anos!).
No trabalho com o João, os papéis invertem-se, percebe-se quem afinal, tem inteligência canina, mesmo não sendo cão.
No trabalho com o João, percebe-se claramente, que é possível fazer um trabalho sério, com o espírito de pura brincadeira.
migalhas quinta 8No diálogo com o João, ganha-se confiança, e a noção clara – para quem quer! – que o trabalho é para ser levado a sério, há pouca margem para o erro, e que, o centro das atenções é o Cão… na prática… os “donos” têm mais para aprender que o cão…
Nestes três meses de convívio quase bi-semanal com o João – a Migalhas, não haja dúvidas disso, aprendeu muito, e o programa foi cumprido (e comprido!)… Mas eu, também aprendi muito, aprendi na migalhas quinta 9relação e no respeito pelo animal, e tive a oportunidade de privar e coleccionar mais uma daquelas pessoas com quem nos cruzamos ao longo da vida, e que sabemos ter valido a pena!

O João…

É um homem rude, honesto, brilhante, uma besta e bestial – once a Marine always a Marine. É na sua essência um contador de histórias, e como alguém já apelidou, um migalhas quinta 10encantador de cães – confirmo!
É um “inventor” prático de tudo o que possa fomentar qualquer sinergia entre o cão e o homem, de tudo o que possa melhorar a relação entre ambos, de tudo o que permite assegurar o conforto do cão (e neste caso, o “dono”, é visto como um mero acessório!) – falo, por exemplo, das trelas e coleiras, falo do projecto que está prestes a nascer, e que permite um passeio tranquilo de bicicleta, com, imagine-se, o nosso amiguinho de quatro patas.
migalhas quinta 11Não sendo veterinário (do meu conhecimento!), colocaria sem margem para dúvidas a vida da “minha” Migalhas nas mãos do João – sem pestanejar!
É um irreverente inconformado com a mentalidade portuguesa, com os costumes da nossa cultura e tradição. Faz questão de o vincar!
É um apaixonado pela espécie canina e pela vida
Hoje (24 de Dezembro), fui buscar a Migalhas ao seu último dia de treino migalhas quinta 12(com o João!)… Foram quase três meses… A Migalhas está, obviamente obediente, cresceu, está forte, robusta, linda, mas eu, terei uma quota-parte muito grande de responsabilidade para que assim continue. E essa é, porventura, a lição mais importante
A Migalhas continua a fazer as suas necessidades onde supostamente não deve – mas também aprendi que, alterar este cenário, afinal de contas não depende da Migalhas, depende de mim, e que, já estou na posse de todo o conhecimento para deixar de ter este problema!
Por tudo isto, um muito obrigado, é pouco para agradecer o trabalho desenvolvido pelo João e com o João.
Vamos certamente continuar a trabalhar juntos com a Migalhas aos sábados…
migalhas quinta 13Quanto às práticas, métodos, preços, serviços, etc… bom… está tudo no site da Caninus – o que lá está escrito, não é de todo verdade – falta a dimensão humana, que é impossível descrever, mas que é absolutamente essencial para o sucesso da Caninus. E falta uma série de “surpresas” que só alguns cães/donos têm privilégio – que é “adquirido” com suor, de conhecer!
Guardo na memória, uma mão cheia de histórias para contar… histórias que, certamente, se repetem na relação que o João vai tendo com os seus diferentes “clientes”, mas que em si encerram um manual de ignorância e comédia misturadas (150g de ração por dia, o “beijinho”, encontros e desencontros, a “má” da fita!, enfim…)…

Um forte abraço,

Aproveito igualmente para deixar uma palavra aos dois malucos tresmalhados que tiveram a ideia e me ofereceram a Migalhas – Tânia, Alexandre… Eternamente agradecido! Sabem bem do “suor e lágrimas” que tem sido esta “aventura”… mas… a vida só tem sentido se for levada com dificuldades – são desafios diários! E agradecer à Rute – que mesmo estando sempre a reclamar, eu sei, nós sabemos, que a Migalhas já tem um cantinho no teu coração.”

Nuno e Rute Nunes Barreto