Cadela Labrador Retriever “Alma”no Treino de Cães Caniroa

Cadela Labrador Retriever “Alma” no Treino de Cães Caniroa

Um dia, tinha a Alma seis meses, tive um “breakdown”.

Enquanto limpava a casa, decidi desligar o aspirador para fazer outra coisa qualquer. Foi uma questão de segundos: quando me virei, percebi que a Alma tinha roído o fio do aspirador. Estava arruinado. E desabei. Não por causa do aspirador, que afinal até tinha arranjo. Mas por tudo. A minha casa estava completamente destruída. Não havia parede, rodapé, móvel, cadeira ou sofá que não tivesse as marcas dos dentes dela. Fora o que já tinha ido para o lixo: uma mesa de apoio pequenina, uma cadeira, três cabos de fibra ótica (40euros cada), chinelos, meias, maquilhagem…

E essa nem sequer era a pior parte. Não conseguíamos jantar sem que a Alma ladrasse o tempo inteiro e tentasse subir para a mesa; não conseguíamos estar sentados no sofá a ver televisão sem que ela não ladrasse ou rosnasse para vir para cima de nós. Não conseguíamos estar à janela sem que ela não ladrasse e se atirasse contra nós. Na verdade, já não conseguíamos viver em nossa casa, ao ponto de nos deitarmos às dez da noite só para ter alguma paz.

Os “passeios”, então, eram um pesadelo. A Alma é que nos passeava. Puxava imenso, fazia de conta que não ouvia, atirava-se a tudo e a todos. Estava, basicamente, a borrifar-se para nós.

Cadela Labrador Retriever “Alma” no Treino de Cães Caniroa

O aspirador era apenas mais uma coisa estragada. Mas eu tinha atingido o meu limite. Naquele momento, o cansaço, a impaciência, os nervos à flor da pele tomaram conta de mim e percebi, entre lágrimas, que precisávamos de ajuda. Ajuda a sério, de um profissional. Nós e cadela não estávamos em sintonia. Pelo contrário, já não nos podíamos ver. A Alma, uma adorável labrador pura, estava a tornar-se um peso insuportável nas nossas vidas.

OS TREINOS COM O JOÃO (e como a vida começou a mudar….)

Nos primeiros treinos com o João, mal confiávamos na Alma. Achávamos que ia fazer tudo mal, que não ia obedecer a nada, que os outros cães eram fabulosos e a minha era uma ovelha negra, destrambelhada como só ela.

O problema é que ela fazia tudo com o João. Parecia a cadela mais perfeita do mundo, a mais bem ensinada. Parecia estar a gozar connosco. E a frustração aumentava. Até que se tornou evidente: o problema estava em nós. Não sabíamos dar-lhe ordens, não havia comunicação. E a que havia era mal feita. Só stress e tensão.

Demorou algum tempo, mas assim que percebemos o que tínhamos de fazer, assim que começámos a ouvir o João, a nossa vida começou a mudar. E a Alma também: a destruição em massa deixou de existir, os jantares com barulho também e estar no sofá voltou a ser sinónimo de descanso. Os passeios deixaram de ser uma tortura. Na verdade, estávamos a começar de novo com a nossa cadela. A criar uma relação inexistente até aí.

Hoje em dia, temos o maior orgulho na nossa Cadela Labrador Retriever “Alma”

Claro que continua a fazer os seus disparates e claro que ainda cometemos alguns erros. Mas estamos os três a aprender e a evoluir. Estamos os três muito diferentes. Para melhor.

Por mais que tente, não é possível pôr em palavras o que o João fez por nós e pela Alma. Obrigou-nos, no melhor sentido, a criar uma relação com ela. E não há nada que pague isso. O João é nosso amigo, mais do que treinador da nossa cadela. O João foi, muitas vezes, meu psicólogo, mais do que treinador da Alma. O João é uma pessoa maravilhosa, sensível, apesar daquele ar de durão, que lê as pessoas de uma forma incrível e que as ajuda, para depois as ajudar com os cães.

O João tem todo o nosso respeito e terá sempre o nosso mais profundo agradecimento.

É um amigo que guardamos no coração.